A Anthropic recorre à Justiça contra decisão inédita que a classifica como ameaça à cadeia de fornecimento do Pentágono, impedindo o uso do IA Claude em contratos militares.
A empresa Anthropic, criadora do modelo de inteligência artificial Claude, entrou em disputa judicial contra o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A ação visa reverter a designação da companhia como risco à segurança nacional, o que limita o uso de sua tecnologia em contratos federais.
Essa medida inédita imposta pelo governo Trump obriga empresas parceiras do Pentágono, como Amazon, Microsoft e Palantir, a garantir que não utilizam o Claude em trabalhos para as Forças Armadas.
O caso ganhou destaque ao expor um choque entre inovação tecnológica e preocupações governamentais sobre segurança, com potenciais impactos bilionários para a Anthropic e o setor privado.
Uma designação sem precedente ameaça a Anthropic
Em março, o Departamento de Defesa dos EUA classificou a Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos de segurança nacional. Essa é a primeira vez que uma empresa americana recebe uma designação desse tipo, bloqueando contratos governamentais que envolvam seu modelo de IA Claude.
A liminar solicitada visa suspender essa restrição, que, segundo a Anthropic, ameaça bilhões de dólares em negócios. A empresa defende que a classificação mancha sua reputação e viola seu direito à livre expressão, afetando parcerias com grandes empresas de tecnologia.
A Anthropic já tinha celebrado um contrato de US$ 200 milhões com o Pentágono em julho, sendo pioneira a implantar sua inteligência artificial em redes classificadas da agência.
Conflito sobre uso e ética da inteligência artificial
O imbróglio político teve início quando a Anthropic impôs limites ao uso do Claude, proibindo seu emprego em armamentos autônomos e vigilância em massa de cidadãos americanos. Já o Departamento de Defesa insistiu na necessidade de acesso irrestrito para usos legais.
A disputa culminou em uma ordem do ex-presidente Donald Trump, que em fevereiro proibiu o uso da IA da Anthropic por agências federais. Trump acusou a empresa de ser uma “IA radical de esquerda fora de controle”.
Antes da audiência judicial em San Francisco, a juíza federal Rita Lin questionou inconsistências entre as declarações públicas do secretário de Defesa Pete Hegseth e as ordens formais emitidas pelo Pentágono.
Impactos e postura dos parceiros durante o litígio
Apesar do bloqueio oficial, a Palantir confirmou que continua utilizando o Claude em colaborações com o Departamento de Defesa, inclusive em operações relacionadas ao conflito com o Irã. Essa informação foi confirmada pelo CEO Alex Karp à CNBC em março.
Além do processo principal em San Francisco, a Anthropic também move uma ação separada no tribunal federal de apelações em Washington para garantir seus direitos legais.
Conflitos como esse ressaltam os desafios de conciliar inovação em inteligência artificial com preocupações de segurança nacional e ética, especialmente em tecnologias de uso militar.
Com informações de timesbrasil
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