Solução inovadora permite que satélites com inteligência artificial realizem buscas e análises no espaço, transformando a observação da Terra e o uso de dados orbitais.
Satélites geralmente enviam grandes volumes de imagens para análise na Terra, um processo que demanda tempo e muitos recursos. Com avanços em inteligência artificial, isso está mudando.
Em abril, um marco tecnológico foi atingido quando um satélite Yam-9 analisou e identificou dados relevantes sozinho, sem intervenção humana.
A tecnologia foi desenvolvida por Loft Orbital e NASA, inaugurando uma nova era para sensores espaciais.
Sensores em órbita ganham autonomia com IA integrada
De acordo com informações divulgadas pelo techcrunch, o satélite Yam-9, lançado em 2025 com tecnologia da Loft Orbital, surpreendeu ao realizar buscas de objetos com base em comandos de linguagem natural. Isso foi possível graças ao modelo de visão e linguagem Gemma 3, criado pelo Google DeepMind.
O Gemma 3 é especialmente desenhado para operar em hardware limitado, como no espaço, combinando entendimento avançado de texto com análise de imagens. Essa integração abre caminho para que satélites se tornem mais eficientes e forneçam resultados úteis diretamente em órbita.
A aplicação do Gemma 3 no satélite, instalada via o software NAVI-Orbital desenvolvido pela equipe de IA do Jet Propulsion Laboratory da NASA, possibilitou identificar áreas de interesse, como regiões onde o ambiente natural se mistura com infraestrutura humana, por exemplo centros ferroviários.
Impactos imediatos e futuros da inteligência artificial no espaço
Essa capacidade aumenta a utilidade dos sensores espaciais ao realizar uma pré-seleção dos dados, reduzindo o volume de imagens e informações que precisam ser transmitidos para a Terra e analisados manualmente. Segundo Paul Lasserre, chefe de IA da Loft, essa tecnologia permite criar uma espécie de vigilância espacial contínua e direcionada.
O modelo apresenta ainda a possibilidade de comunicações mais dinâmicas entre satélites e operadores, possibilitando comandos como “monitore esta fronteira e informe qualquer anormalidade”.
No longo prazo, a demonstração oficial do Gemma 3 em órbita serve para viabilizar projetos mais ambiciosos, como constelações com dezenas de satélites equipados com IA, garantindo cobertura quase em tempo real do planeta.
Desafios técnicos e novas fronteiras para exploração espacial
Os engenheiros precisaram adaptar o modelo para reduzir seu peso computacional e limitar o uso de memória, desafios comuns ao implementar IA em hardware espacial. Além disso, foram instalados chips avançados, como o Nvidia Jetson Orin AGX, para suportar essa capacidade.
Outras empresas como Planet Labs já avaliam o uso de modelos semelhantes para tarefas específicas e Kepler Communications opera a maior quantidade de GPUs em órbita, com usos ainda em sigilo.
Essa atuação pioneira abre caminho para ferramentas científicas inéditas e assistentes digitais para missões lunares ou em Marte, onde astronautas podem utilizar comandos de voz para interagir com computadores sem complicações, apontou Taran Cyriac John da NASA JPL.
O futuro da inteligência artificial em satélites
Firmas do setor apontam que a tendência é expandir essa capacidade para mais satélites, visando criar uma rede global com análise autônoma constante. Hoje, a Loft Orbital conta com 12 satélites operacionais e trabalha para ter entre 50 e 100 com inteligência artificial a bordo.
Esse avanço não apenas melhora a eficiência operacional como abre portas para novas aplicações em monitoramento ambiental, segurança e ciência espacial.
Conforme destacado por Paul Lasserre, essa é a “direção de viagem” para o futuro da indústria espacial.
Com informações de techcrunch
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