Infraestrutura digital na América Latina cresce, mas desafios em financiamento e regulação freiam o avanço.
O avanço da infraestrutura digital na América Latina ocorre em ritmo acelerado, mas enfrenta obstáculos que vão além da demanda tecnológica. Os principais entraves envolvem financiamento e estabilidade regulatória, essenciais para o desenvolvimento sustentável da região.
Embora a capacidade instalada já seja significativa, o cenário exige investimentos robustos e um ambiente regulatório previsível para suprir demandas futuras. A volatilidade cambial ainda complica decisões estratégicas para os investidores e provedores de nuvem.
Esses temas serão detalhados a seguir, considerando dados atuais e a análise de especialistas para entender os próximos passos do setor digital latino-americano. Conforme informação divulgada pelo timesbrasil.
Desafios estruturais limitam a expansão da infraestrutura digital
Vincent Detilleux, vice-presidente e analista sênior da Moody’s Ratings, destaca que a América Latina vive uma expansão robusta em sua infraestrutura digital. Até o final de 2025, a região já totalizava 1,4 GW de capacidade instalada, com mais 1 GW em expansão. Entretanto, o maior desafio não é a demanda tecnológica, e sim o acesso ao financiamento, a estabilidade regulatória e o fornecimento de energia confiável.
Na avaliação do executivo, os custos de implementação são muito elevados e principalmente dolarizados, o que requer condições financeiras muito claras e de longo prazo para atrair investimentos. Segundo ele, construir 1 MW de capacidade custa cerca de US$ 10 milhões, mais US$ 10 milhões para equipamentos básicos, podendo chegar a US$ 25 milhões para aplicações complexas como inteligência artificial.
Impactos da volatilidade cambial e competitividade regional
Outro ponto crucial destacado por Detilleux é o impacto da volatilidade do real para os provedores de nuvem, chamados de hyperscalers. Embora sua receita seja em reais, seus custos operacionais seguem em dólar, pressionando as margens de lucro e reduzindo incentivos para novos investimentos.
Além disso, apesar do Brasil ser o maior mercado consumidor da região, o país depende significativamente de infraestrutura externa para processamento de dados, com 70% dos dados brasileiros processados em servidores nos Estados Unidos. Enquanto isso, o Chile tem ganhado destaque por seu ambiente regulatório estável e facilidade nas licenças e gestão territorial, atraindo investimentos para o setor.
Estratégias regionais e perspectivas para o setor digital
Para o futuro, Vincent Detilleux aponta que o sucesso da expansão digital na América Latina dependerá de uma estratégia que integre diversos países, como Brasil, Chile, Colômbia e México. A competição entre esses mercados não é direto, mas fatores regulatórios podem direcionar os investimentos para regiões que oferecem maior estabilidade.
O executivo reforça que o vencedor no setor será aquele que conseguir ofertar soluções integradas e confiáveis para as grandes empresas de tecnologia que desejam ampliar sua presença na América Latina, superando desafios de financiamento e barreiras regulatórias.
Com informações de timesbrasil
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