São Paulo recebe 500 novos ônibus elétricos e totaliza 1,7 mil veículos, consolidando liderança no Brasil e ficando atrás apenas do Chile e Colômbia na América Latina.
A frota de ônibus elétricos da cidade de São Paulo alcançou 1.700 veículos em operação neste domingo, com a entrega de mais 500 unidades de fabricantes renomados como Elektra e Volkswagen Caminhões e Ônibus. A expansão do transporte público eletrificado na capital paulista é financiada por linhas de crédito do BNDES, BID e Banco da China, que somam bilhões em investimentos.
Com essa expansão, São Paulo se destaca como líder nacional na eletrificação do transporte coletivo, ficando atrás apenas do Chile e da Colômbia no ranking latino-americano. A prefeitura ajustou a meta para ter 2.200 ônibus eletrificados até 2028, redução em relação ao objetivo inicial de 2.600 unidades previsto para 2024.
Segundo o pesquisador Jefferson Hishiyama da Silva, do ICCT, São Paulo responde por mais de 80% dos 1.700 ônibus elétricos circulantes no país até 2025. O estudo divulgado pelo Conselho Internacional do Transporte Limpo destaca essa liderança em meio à crescente eletrificação do transporte público no Brasil.
Financiamento e infraestrutura para o crescimento da frota
A renovação da frota elétrica da capital conta com recursos de diversas fontes. No último ano, foram fechados acordos de US$ 100 milhões com o Banco da China, além de R$ 1,4 bilhão pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e R$ 2,5 bilhões do BNDES, responsável pela entrega dos 500 ônibus desta semana.
O avanço do programa depende não apenas dos financiamentos, mas também de incentivos fiscais e de uma reorganização da infraestrutura de recarga. Antes da entrega massiva de veículos elétricos, a falta de capacidade elétrica nas garagens ocasionou atrasos. Após ajustes, os operadores precisam comprovar a capacidade técnica para operar ônibus elétricos, melhorando a integração entre prefeitura, empresas operadoras e a distribuidora Enel.
De acordo com a Enel, entre 2024 e maio deste ano, foram entregues 92,72 MW para 35 garagens, energia suficiente para abastecer pelo menos 2 mil ônibus. A utilização média das garagens não ultrapassou 50%, chegando a 39% em maio, indicando capacidade para ampliar a frota.
Cenários de eletrificação do transporte público para os próximos anos
O estudo do ICCT traça três possíveis trajetórias para a participação de ônibus elétricos na frota brasileira até 2050. No cenário conservador, a fatia chega entre 25% e 41%. No moderado, alcança 62% em 2040 e 92% em 2050. No mais ambicioso, a adoção retorna 55% das vendas já em 2030, mantendo 92% a partir de 2040.
Embora o crescimento da frota de ônibus seja acelerado, o segmento de caminhões elétricos apresenta ritmo mais lento. Em 2025, foram vendidas apenas 366 unidades leves e médias, representando 1,7% do mercado, com Volkswagen, JAC e Foton liderando. Entre caminhões pesados, foram comercializados 53 veículos elétricos, apenas 0,06% do total, liderados pela XCMG.
Essa diferença se explica pelo custo elevado e pela falta de infraestrutura de carregamento rápido nas rodovias, fatores destacados pelo coautor do estudo Thiago Pastorelli Rodrigues.
Perspectivas para o transporte sustentável em São Paulo
O avanço da frota elétrica em São Paulo aponta para a consolidação de um transporte público mais sustentável e eficiente. A meta revisada de 2,2 mil ônibus eletrificados até 2028 mostra o compromisso da prefeitura em acelerar a eletrificação, conciliando desafios técnicos e financeiros.
As parcerias com bancos nacionais e internacionais e a adequação da infraestrutura de recarga refletem o esforço conjunto para viabilizar o uso em larga escala dos veículos elétricos, contribuindo para a redução da poluição e a modernização do sistema de transporte.
A expectativa é que essa liderança na eletrificação inspire outras cidades brasileiras a expandir suas frotas elétricas, acelerando a transição para uma mobilidade urbana mais limpa.
Com informações de timesbrasil
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