A América Latina enfrenta desafios para expandir sua economia devido à baixa integração tecnológica e falta de investimentos estruturados, alerta economista Walter Franco.
A região ainda está distante de aproveitar plenamente o potencial da inovação para alavancar seu crescimento econômico. A falta de investimentos robustos em tecnologia limita a competitividade frente à dinâmica global. Além disso, o Brasil possui ativos energéticos estratégicos para o desenvolvimento tecnológico, mas carece de planejamento específico para explorá-los.
Esses fatores, associados às altas taxas de juros e tensões geopolíticas, como a crise entre Irã e Estados Unidos, formam um cenário complexo que restringe a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) latino-americano. Mesmo assim, há otimismo cauteloso quanto à diversificação das economias de países como México, Colômbia e Argentina.
Conforme entrevista concedida por Walter Franco ao Times Brasil, a inovação é fundamental para que a América Latina possa superar suas expectativas econômicas e alcançar um crescimento mais sustentável a médio e longo prazo.
O impacto da falta de investimento em tecnologia na América Latina
Walter Franco aponta que a inovação é o verdadeiro motor das economias modernas, porém a América Latina ainda não acompanha essa evolução. O economista ressalta que a região precisa de um esforço conjunto e cuidadoso para aumentar os investimentos em tecnologia e aprimorar sua integração com o mercado global.
Segundo ele, apenas com investimentos que gerem capacidade de crescimento robusto e sustentável será possível superar as limitações atuais. A ausência de uma estratégia para impulsionar áreas tecnológicas faz com que os países da região permaneçam na retaguarda do desenvolvimento econômico global.
Brasil e o atraso em inteligência artificial
O Brasil tem um importante diferencial competitivo, especialmente no campo da inteligência artificial, que depende de energia abundante e confiável. O país é superavitário em fontes energéticas, o que poderia ser uma vantagem estratégica para criar hubs de desenvolvimento tecnológico.
No entanto, Walter Franco destaca a falta de planejamento para explorar esse benefício. Ele afirma, “Nossa capacidade nessa área depende muito de energia e o Brasil é superavitário. Faltaria um planejamento para utilizar esses fatores e viabilizar um mercado com diferencial energético”. Isso evidencia a necessidade de definir políticas claras para entrar de modo competitivo nesse setor.
Conflitos globais e a importância da independência industrial
Quanto aos conflitos internacionais, como a crise entre Irã e Estados Unidos, o economista explica que o impacto na região é significativo, mas pode ser mitigado por meio da independência industrial e tecnológica.
Ele afirma que quanto mais integrados e tecnologicamente desenvolvidos, menos vulneráveis serão os países latino-americanos às oscilações externas. O Brasil, por exemplo, poderia compensar parte dos impactos do preço do diesel internacional com a produção de biodiesel, reforçando a importância de diversificar e modernizar a matriz produtiva.
Taxas de juros e perspectiva econômica para 2026
Walter Franco aponta que as altas taxas de juros no Brasil são o principal obstáculo para uma expansão maior do PIB em 2026. Segundo ele, os juros altos restringem o investimento produtivo e o crescimento de longo prazo.
Para reverter esse cenário, seria necessário um esforço governamental para reduzir os gastos públicos. O economista destaca que este fator limita mais o crescimento do Brasil do que as crises internacionais, que causam volatilidade nos preços, mas têm impacto menos direto na economia interna.
O otimismo cauteloso para a América Latina
Apesar dos desafios, Walter Franco mantém um olhar positivo sobre o potencial de crescimento da região. Ele observa que países como México e Colômbia enfrentam maior vulnerabilidade devido à dependência do mercado americano, enquanto a Argentina apresenta sinais de reorganização econômica interessante.
O especialista acredita que a diversidade econômica latino-americana pode compensar perdas em setores específicos e surpreender com um crescimento superior aos 2,1% previstos, mostrando que a região ainda tem alternativas para recuperar impulso econômico.
Com informações de timesbrasil
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