Empreendedores do setor de data centers buscam o espaço para suprir demanda crescente por computação, mas enfrentam falta de foguetes comerciais disponíveis e custo elevado.
O setor de computação para inteligência artificial cresce sem parar, e isso está levando empreendedores de data centers a mirar no espaço. O desafio é grande, porque não existem foguetes suficientes para colocar centros de dados em órbita, além do preço alto desses lançamentos.
Muitos apostam que o foguete Starship da SpaceX resolverá essa questão. A nave realiza seu décimo segundo voo teste neste fim de semana, mas só estará disponível para o mercado geral daqui a alguns anos, por conta do uso prioritário de lançamentos de satélites da própria SpaceX. A Blue Origin enfrenta problemas semelhantes com seu foguete New Glenn, que ainda não entregou satélites em voos recentes.
Portanto, projetos de data centers espaciais avançam de forma cautelosa, com planos de operação apenas na metade da década de 2030, como o Google Suncatcher, ou atuando inicialmente em processamento de borda para sensores espaciais, como o Starcloud.
Uma solução ousada e ao mesmo tempo arriscada
De acordo com a informação divulgada pela TechCrunch, a empresa Cowboy Space Corporation decidiu criar seu próprio programa de foguetes para superar o gargalo. O CEO Baiju Bhatt estima o primeiro lançamento até 2028. A startup captou uma rodada série B de US$ 275 milhões, valorizando a empresa em US$ 2 bilhões, com aporte de investidores como Index Ventures, Breakthrough Energy Ventures e SAIC.
Baiju Bhatt, cofundador da Robinhood, lançou a empresa em 2024 inicialmente com o nome Aetherflux, focada em coletar energia solar no espaço para enviar para a Terra. Com o tempo, a ideia migrada para usar essa energia diretamente em data centers orbitais, o que levou ao desenvolvimento da própria frota espacial. Bhatt encontrou falta de capacidade nos lançadores existentes e viu que essa escassez inviabilizava uma expansão justa e econômica.
Projetos espaciais enfrentam poucos concorrentes ativos e desafios técnicos
Apesar da lógica em desenvolver foguetes internamente, essa opção é complexa. Atualmente, poucas empresas privadas no Ocidente possuem lançamentos comerciais consistentes, como SpaceX, Rocket Lab e Arianespace. Blue Origin e United Launch Alliance ainda enfrentam atrasos. Startups como Stoke Space e Firefly Aerospace batalham para concluir seus sistemas.
A Cowboy Space entrará em competição direta com gigantes como SpaceX e Blue Origin, dois dos grupos mais avançados e com maiores investimentos. Para Bhatt, porém, o mercado é vasto e deve acomodar múltiplos atores. Ele aposta no crescimento da demanda por IA e destaca que as opções terrestres para data centers estão ficando limitadas.
Foguete dedicado a data centers orbitais promete inovação
Uma vantagem da Cowboy Space é o foco exclusivo em data centers no espaço, além do design inovador. Seu foguete integrará os próprios centros de dados na segunda etapa da nave, inspirando-se no histórico satélite Explorer 1, que era parte do foguete e levava instrumentos científicos.
Cada satélite deverá ter entre 20 e 25 toneladas, gerando 1 megawatt para alimentar cerca de 800 GPUs a bordo. O foguete será mais potente que o Falcon 9 da SpaceX, mas menor que o Starship, ainda em desenvolvimento. Bhatt também prevê que o estágio inicial será reutilizável futuramente.
Para a missão, a empresa recrutou engenheiros experientes da indústria espacial e planeja fabricar seu próprio motor. Ainda precisa desenvolver instalações para testes, fabricação e lançamentos. O novo nome da empresa reflete a ambição de “alimentar a humanidade a partir da fronteira mais alta”.
Com informações de techcrunch
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