Mais da metade dos jovens usa inteligência artificial para tirar dúvidas sobre o próprio corpo, em busca de praticidade e menos constrangimento nas conversas íntimas.
O uso da inteligência artificial (IA) ganhou espaço no cotidiano de crianças e adolescentes. Muitos recorrem a essas ferramentas para tirar dúvidas e buscar orientações pessoais. Contudo, especialistas alertam para os riscos de respostas imprecisas e falta de vínculos humanos.
Este cenário indica a importância do diálogo aberto entre pais e os filhos para o uso consciente da tecnologia. A seguir, entenda os dados do estudo e os principais pontos que envolvem esse tema.
Confira como a IA está inserida na vida dos jovens e o que é recomendado para acompanhar esse novo comportamento.
Jovens usam IA para tirar dúvidas sobre saúde e corpo pela praticidade
De acordo com relatórios da Common Sense Media, uma organização dedicada à segurança digital de crianças, 81% das crianças de 9 a 12 anos e mais de 89% dos adolescentes entre 13 e 15 anos afirmam utilizar alguma ferramenta de inteligência artificial. Entre os jovens de 16 a 17 anos, esse número sobe para 92%. Já na faixa de 13 a 17 anos, 29% dos entrevistados utilizam essas ferramentas diariamente.
Segundo Michael Robb, diretor de pesquisa da Common Sense Media, “a IA já faz parte da infância de muita gente”. A tecnologia é usada para conversar com chatbots, tirar dúvidas comuns e até para resumir informações, sendo facilmente acessível e disponível a qualquer hora.
Um dado revelador é que 57% dos jovens afirmaram buscar orientações sobre saúde ou o próprio corpo por meio dessas ferramentas. A facilidade, a prontidão das respostas e o fato de evitar o constrangimento são motivos que atraem esse público a usar a IA para assuntos íntimos ou pessoais.
Riscos do uso da IA para dúvidas sensíveis e a importância do vínculo humano
Especialistas chamam atenção para os perigos da confiança excessiva nas informações fornecidas pela inteligência artificial. Robb destaca que a IA frequentemente responde com muita segurança, mesmo quando a informação não é correta. Isso pode levar crianças e adolescentes a aceitarem respostas falsas como verdadeiras.
Além disso, existe o risco de dependência das ferramentas, mesmo com 73% dos jovens afirmando que ainda procuram antes um adulto de confiança para tirar dúvidas. A psiquiatra infantil Suzan Song alerta que a IA não substitui os vínculos humanos essenciais para o desenvolvimento emocional e social dos jovens.
Segundo ela, a convivência com pessoas reais, cheia de conflitos e negociações, é fundamental para que crianças aprendam sobre si mesmas e o mundo. A IA, ao eliminar grande parte deste atrito, pode prejudicar esse processo.
Como os pais podem orientar os filhos no uso da inteligência artificial
Diante desse cenário, é recomendável que os pais mantenham uma postura aberta e curiosa. Perguntar aos filhos sobre o uso da IA, os motivos para recorrer a ela e estimular a reflexão sobre buscar ajuda humana é fundamental para ampliar o entendimento da tecnologia.
Robb sugere perguntas como: “Como você costuma usar a IA?”, “O que você acha mais interessante nela?” e “Se fosse conversar sobre esse assunto com alguém da sua vida, quem seria?”.
Suzan Song reforça que esse diálogo ajuda os jovens a se sentirem parte de uma rede de relacionamentos reais, reduzindo a sensação de isolamento e fornecendo o suporte necessário para que usem a tecnologia de forma segura e responsável.
Algumas plataformas, como o ChatGPT, já implementaram medidas de controle parental, com limites de uso e restrições de conteúdo, para proteger os usuários mais jovens.
Vale lembrar que a inteligência artificial pode ser um aliado para esclarecer dúvidas, porém, o suporte humano continua insubstituível para o desenvolvimento saudável dos jovens.
Com informações de timesbrasil
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